sábado, 26 de março de 2011

Vermelho Carmim II

Por Carol. Meus olhos em Amsterdam

Continuação

Vermelho Carmim. São essas, as duas palavras que encontrei para expressar Amsterdam. A sensação monocromática de assimilação que tive da cidade, foi a mesma que tive quando visitei a instalação "Desvio para o Vermelho", de Cildo Meireles no Inhotim.

( Se não estiver disposto (a) a se confundir, não leia)

1ª situação hipotética: pode ser um caso relacionado a minha intuição.

2ª situação hipotética: pode ser porque eu comprei um gorro vermelho no Porto, usei ele durante a viagem, e perdi antes de voltar para Portugal.

3ª situação hipotética: eu não sei o que estou falando e por isso estou inventando.

Part II

The Wait (Margot), 1901, Museu Picasso, Barcelona, c/o Pictoright Amsterdam 2011 | Pablo Picasso

















Quero levar de Amsterdam as minhas viagens através do olhar demorado para um Van Gogh, Monet, Rembrandt. Também lembrar a sensação que tive no primeiro contato com el Pablo Picasso. Foi divino, maravilhoso! O portrait acima foi um dos que mais me chamaram a atenção. Fiquei atónita diante de "The Wait", apática a genialidade do pintor espanhol. E na mesma fração de tempo eu me culpava " em que mundo eu vivia? GOD". Misérias da vida. A arte veio para salvar.

Faltava apenas conhecer a coleção de Gabriel Metsu para ter a certeza que a visita ao Rijksmuseum era indispensável às boas lembranças que eu ia carregar da Holanda. Surpreendi-me mais à medida em que avançava na percepção das cores fortes, e das sombras perfeitas e simétricas dos quadros de Metsu. Na sala em que estava sua coleção, tive a incrível sorte de me infiltrar num grupo de turistas japonesas que estavam sendo guiadas por uma especialista do Museu. Ela explicava cada quadro detalhadamente. E eu, disfarçadamente, ia prestando atenção às suas observações.



Woman reading a letter ( 1662 - 1665) Gabriel Metsu - Origem: Dublin - Irland

















Obra completa de Gabriel Metsu: http://www.gabrielmetsu.org/


Part III

Encontrei o Vito no hostel, ele me chamou pra uma festa no "The Meetings", bom, eu fui. Era a minha chance de sair da Red Lights District ( o bairro mais famoso de Amsterdam, onde ficam as prostitutas na vitrine) e ir para um ambiente menos turístico e mais tradicional. Cheguei neste bar, e a primeira novidade, tinham várias botas penduradas no teto. O Vito tentou me explicar o que significavam mas eu não entendi. E até hoje eu não sei. Bem, enfim! Conheci alguns italianos muito engraçados e que viviam em Amsterdam já há um tempo. Foi uma noite atípica, com música e cerveja boa. Porque não é todos os dias que você bebe Budweiser por 2,oo euros! No final da noite, senti uma vazio absurdo! Um vazio oco, atemporal. Acho que era a sensação de não pertencimento, que tentei explicar no primeiro post. Veio a saudade dos queridos amigos do Brasil, do cabeça de vento do Lázaro, da Débs no Porto; e vinha algo na minha cabeça parecido com a frase do Supertramp: "Hapiness is only real when shared" ( filme Into the Wild ). Com essas experiências, os livros do Osho começam a fazer sentido na minha vida. "Abandone o pensamento, abandone..."


Part IV

Escrevi durante todos os dias da viagem. No entanto, nada que fosse particular do lugar. Só tenho saudades do carpete macio do hostel, com a janela enorme para um dos canais da cidade, com vista linda para a estação de trem. Dali eu acompanhava o movimento de Amsterdam, enquanto tentava escrever algo no meu moleskine. Mas meus olhos não se desviavam das Straats Holandesas que a janela alcançava. Ou olhava, ou escrevia. Preferi olhar.

Final

Canais. Pontes. Bicicletas. Red Lights. Straat. Rijksmuseum. Iamsterdam. Fotos. Souvenirs. VanGogh. Honey Pie. Coffeshops. Superhaze. Voltas. Brigas. Silêncio. Confusão. Mal estar. Felicidade. Adiós, Holanda... Hola, Portocalle!


Observação importante: As bicicletas de vanguarda, ah! Parece que estão perdidas no tempo...










quinta-feira, 24 de março de 2011

Vermelho Carmim

Part I


"O desconhecido é maravilhoso", escrevi no meu diário de bordo, na tarde em que acordei em Maastrich. Sentada na Time Square da cidade holandesa, sentia a liberdade (delícia de liberdade) de estar em um país, onde me sentia a flanar. Apenas a flanar. Um lugar que me separa pela Língua. "Minha pátria é minha língua".
Não senti saudades de Portugal, embora nem tenha pensado no Brasil; me sentia portuguesa ali, vinda de Portugal. Então mergulhei no viscoso como quem se atira de ponta nas águas calmas de uma piscina qualquer.
Em Maastrich, descobri, pontualmente, (graças a Deus) que a viagem só teria sentido para mim, se eu me propusesse a sentir, realmente, as pessoas daquele lugar. Queria levar de lembrança, não somente as fotos e os postais, mas a sensação de sair do espaço turístico e ir para além; me esvaziar por entre as ruas tão bem planejadas e envolventes... Ficar invisível e, de repente, entrar dentro de um coffeshop.
Porque isso fez muito, mas muito sentido para mim durante toda a viagem. Liberal, sometimes, sometimes not, a Holanda convence.

E sobre o viajante, me ocorreu a lembrança de uma passagem que vi no perfil do meu querido amigo e caso sério, Fred Morão. Peguei emprestado dele, uma passagem do Claude Lévi Strauss, esse estruturalista que sabia bem de povos, sociedade e alteridade.

“Por que é triste o olhar do verdadeiro viajante? Como ninguém ele sabe que “o mundo começou sem ele e acabará sem ele”. Percebe que todos os mitos, estilos e linguagens são construções de sentido, sempre à beira do vazio. Sente que sua viagem não terá propriamente um retorno, sua exploração ficará sempre inconclusa. No entanto, entre a solidão que reproduz a máquina de uma cultura herdada e a tristeza desse caos caleidoscópico do mundo que se deixa entrever, prefere a segunda condição: a de navegante solitário, fiel apenas à própria narrativa, senhor de suas histórias e paisagens, aquém de todo pensamento e além de toda sociedade.”

A experiência de ficar hospedada de Couch Surfing, nesta viagem, foi também incrível. Conhecer o Rafa me fez pensar nos brasileiros que estão solos pelas terras européias. E pensar que o encontro entre nós é sempre caloroso. Fica da minha estadia em Maastrich o gostinho da massa ao pesto, que aliás, eu já inclui no meu cardápio vega no Porto.


Continuo no próximo post, tem uma festa Erasmus me chamando.


domingo, 13 de março de 2011

Do Desassossego


Part I

Caminho por entre às ruas apertados da Cordoaria, passo pela Cedofeita, me distraio com os saldos baixos das lojas de roupas. Erro o caminho, estou em frente às galerias da Miguel Bombarda. Preciso achar a Faculdade de Direito, que fica numa rua estreita, com nome de português, e encontrar um sobrado verde, com varal na sacada, e um monte de plantas, muitas plantas, verdes, secas, mortas. Sim, aquele lugar que me lembra Ouro Preto, pronto. Faculdade de Direito, subo as escadas, são quase 5 horas, encontro Harry Potters descendo às escadas, e meninas de franjinhas ( as que eu queria ter antes de sair do Brasil), #fail. Faculdade de medicina, faculdade de jornalismo e entro correndo na sala 205 do 1º andar. Olho pela janelas e lembro o porquê de ter chegado até aqui. Suspiro aliviada e pego minha lista de filmes para assistir. Olho e vejo a menina portuguesa do meu lado. ( Eu iria mais tarde pro Contagiarte com ela).
Já é a noite, passo pela Praça Carlos Alberto, pelo tapete vermelho da Esplanada. Chego à reitoria, olho pro Bar do Piolho, penso em tomar um fino, ligo pra alguém ou não? Não. Cordoaria, Torrinha, Carolina Michaelis, Cruz Vermelha. Andaria a pé até em casa, se as pontas do meus dedos não começassem a arder de frio. Paro, e espero o 602. Já é noite no Porto, dia em mim.

Part II

Portugal me alegra! Me tira do sério. O que há de nostálgico aqui? De antiquado? De desassossego?

"Objetivo e subjetivamente estou farto de mim. "

Preciso me arriscar pelas águas do "mar, salgado, mar." Deixar - me viajar, porque é preciso... Viver não é preciso.
Como se fosse o Corpo que cai. E precisar vencer a Vertigem.

Part III

Red Lighs, ti quiero.


>> Continua a série das músicas latinas.

Caetano Veloso - Filme Fale com Ela - Almodóvar
video

domingo, 6 de março de 2011

Picture Yourself

Meu primeiro post. Fins terapêuticos? Fins jornalísticos? Fins sociais? Fins políticos? Pois bem, simplesmente, saudades de escrever e de me perguntar. Poderia continuar com o "Meu querido diário". Aliás, mantive ele por tantos anos... Mas ele já não tem o gosto dos anos noventa.

Pseudo jornalista? Pseudo Intelectual? Pseudo Militante? Pseudo Mulher? Espera. Pseudo Mulher? Já não me adiantaram os livros introdutórios ao SER mulher? À sua história... De nada adiantou o curso de formação feminista? ( o que? eu fiz isso?) Sim, você fez isso. Bem, também procuro respostas nessa minha sub existência, e sei, pelo menos, que tento me encontrar como feminista. Sem o pseudo na frente, por favor.

Na verdade, ainda não estou certa em encarar "a grande merda que é vida". (Algumas expressões ficam marcadas para sempre, não é MCM? Are you remember that?). Talvez queira uma comunicação sistemática, que coloque a prova toda a minha vontade de me fazer entender. Falar em primeira pessoa. Sem precisar falar para um público alvo. Separar a comunicação pessoal da interpessoal.E tentar me mostrar. De repente sair da Ostra! Organizar alguns pensamentos através da palavra escancarada, cuspida, que foi empurrada de dentro pra fora.

Estou "cá", nessa transição do espaço físico, além mar, emaranhada de saudade e vontade de ficar. Nessa viagem pra dentro da Carol. Um viagem alucinógena, de resgate do meu eu interior. Uma escolha, que pretende nada mais que criar, esgotar as pérolas que existem dentro de mim. Sim, não terei medo de ser egocêntrica, ao extremo. Nestes post' its virtuais eu preciso. É como se continuassem colados e amarelados na janela do meu quarto.

E carrego nos textos às extensões da Carol. As músicas, as pessoas, a poesia, a política, o jornalismo. Tudo o que eu fui, sou e tudo o que eu ainda quero ser. Carol in the sky is learning to fly.


Extensão do meu post' it:

Volver a los 17 - Mercedes Sosa, Milton, Caetano, Chico e Gal juntos neste concerto. O aúdio está com ruídos mas vale a pena chegar ao final do vídeo e curtir essa música folk ma -ra -vi- lho- sa.




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