sábado, 11 de junho de 2011

No meu tempo, o vento.

Na minha viagem interior, pois assim a irei chamar para os restos dos meus dias, ao deserto, senti a sensação de estar indo chegar ao último lugar existente no planeta Terra. Emergia ali, naquelas dunas claras e tácitas, para o final lugar do mundo. E ainda assim, diante do desconhecido tão deserto, essa saga era uma escolha, era uma fuga para longe de mim. Escolhi fugir, para estancar o que tem se mostrado intrínseco ao meu ego: a minha dor instintiva. "Mulheres que correm com os lobos." Nunca abandonei minha mulher selvagem. E por razões que cabem em um livro de histórias antigas, não me ouso escrevê - las aqui. Mas sei, que por não ter a abandonado, isso se deve à minha mãe, à minha avó e à todas mulheres que são minhas ascendentes. Não estou sozinha, não lia sobre a Wicca aos 11 anos meramente por curiosidade, tenho pois, um gosto de enunciar, que a mulher em mim não deixou me perder da minha mulher selvagem.

Quando toda aquela areia entrava no meu corpo, nos meus olhos, não houve incômodo que fosse. Depois de respeitar o vento, que era natural das noites desérticas, adormeci no meu sono, inconsciente de que procurava paz em mim mesma. E ela tão ausente, perdida não sei exatamente em que tempo da minha breve vida, retornaria a mim quando eu a abri-se as portas. Mas há momentos que não temos consciência, e as portas permanecem fechadas. Então adormeci e aceitei, que o vento iria continuar até às 5h da manhã, que a tempestade de areia não iria passar, porque era natural também. Eu tinha um cobertor felpudo, um colchão macio e uma tenda de tapetes, eu sem pensar em tudo isso, dormi, em paz numa imensidão de nada.

II

Busque tocar o sol que te acena todos os dias.

III

Continua no próximo post pela excesso do que é inefável e que não deixa transbordar - me por inteira.



2 comentários:

Cacau disse...

"Mas há momentos que não temos consciência, e as portas permanecem fechadas..." E há momentos em que o vento chega e escancara as portas...

Anônimo disse...

por vezes, a imensidão do vazio que se cria dentro de nós, se torna a paz que muitas vezes procuramos na imensidão do vazio lá fora.
A ausência de sentidos nem sempre é um mergulho na escuridão, mas sim um afago em um coração dolorido.

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