sábado, 1 de dezembro de 2012

Na porta detrás da tabacaria

"Sinto como se o mundo me escapasse".

Cacau Itaborahy

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

À meia luz

Alívio. A música. Pálpebras. Miúdas caem. Segredo. Conto. Não tem problemas. O canto da boca está virado. Olha. Os olhos úmidos. Pelo ouvido. Vem arrepio. Divino. Paz. Sabe. É. A gente sente. Paz. Sabe? Sombra. Meia Luz. O resto. Não. Não interessa. O resto. Inteiro. As pálpebras, dormem. 
A fuga de tudo. Teresa, Tomas e Karenina.

Uma brisa

rápido.

passado rápido.


rápido.


passado lento

rápido

momento

velas acesas
bichos pelos quintais,
insetos na tela.


esquecer rápido

aquilo que falta a existência.


futuro lento

Unhas decadentes
Bonecas em guarda - roupas
tantos travesseiros

Rápido. Brisa rápida.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O cachorro do vizinho

Cachorro latindo no vizinho. ( assim eu testo minha pré-disposição a ser muito cruel e capaz de cometer homicídios). Criança chorando. ( assim eu descubro que não tenho paciência com crianças e as acho criaturas perigosas). Mas o cachorro do vizinho... Olha!! A merda do cachorro do vizinho não me deixa nem pensar no texto. Mas o celular que meu pai esqueceu em casa toca de cinco em cinco minutos. Precisava ser o toque do Indiana Jones???? Além do mais minha mãe grita pra chamar a Efigênia e a por sua vez, a Efigênia me beija muito forte e fica me chamando de vidinha. O Pedro está quase chegando com aquela energia insuportável dele. Quase quebrei o teclado. A tecla F voou. PQPPPPPPPPPPPP. tomara que essa merda de cachorro perca as cordas do latido. Eu odeio ele. Ele acabou com meu dia.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Pulso

O amor é morder a mão, na medida quase exata em que alcança o pulso.

Tanto pulsar.

domingo, 4 de novembro de 2012

As mulheres árabes

Passei estes últimos dois dias na Arábia Saudita.
Passeando sob imagens de mulheres que escondem uma vida de opressão por detrás do véu.
Isso mexeu com meu coração. Despertei desejos profundos e certezas imemoriais.
A história da princesa Sultana veio para me ajudar a caminhar pela história das mulheres.
Sinto fervilhar esse sentimento dentro de mim. E até tenho medo do que pode transbordar.
Medo do desconhecido. Medo dessas palavras que se repetem na minha vida.
Enfim sinto estar no caminho certo. Algo vem atrás de mim e me empurra para o destino.
Sinto o destino se movimentando como sorrateiras cobras no deserto.
Mas as cobras são sábias.




domingo, 2 de setembro de 2012

Dos brilhantes que eu aproveitei...






Quando chega 31 de agosto me vem à boca um sorriso largo. "Amanhã é setembro". Quando chega dia 1º escrevo poesias nos papéis pela casa, escuto rock ' roll de Highway, desconfio de dias melhores, saúdo a primavera, penso em fazer orações e a pintar móveis. Penso em mudar de casa, dar um giro de 360º na minha vida; como se ela nunca rodasse 180º a cada 12 horas. E apesar das brigas durantes as noites insônes, em que simulo diálogos, conversas e pontos finais, eu estou em paz, porque finalmente é setembro. Porque a minha alma é sazonal, é inerente ao que eu sinto através do tempo. Porque tenho sonhado com Ipanema e com o Márcio Paixão; com visitas na Farm em companhia da Morena. Tenho respirado fundo, como se visse de longe um barco no horizonte e um arco íris envolta. Porque dias azuis são um descanso pra alma. Porque tenho colocado "lulababbies" pra um recém nascido e estou me desfazendo aos poucos das roupas do meu armário... Roupas coloridas, com histórias mas que não me servem mais. Tenho sorrisos pro espelho, tenho dentes afiados para trincar a vida. Porque a vida só se deve agora, porque criei casca e hoje saio dela com facilidade. Estou protegida por mim, e estou gargalhando por dentro. Não contenho meu sorriso, nem meus brillhantes que se caíram de um brinco que eu também já me desfiz... Desfiz - me sorrindo... Tenho me desfeito... Hoje derreto e volto ao estado sólido em um piscar de olhos. Só precisava dos meus pés na areia, de respirar um ar cálido, uma embriaguez de amor, uma volúpia do espírito que não se contém apenas em sí. Mas tudo bem, ainda é setembro!!

domingo, 12 de agosto de 2012

Fuga nº 44




Vou ter que escrever.

Agora não tem jeito.


Às vezes é impossível fugir. Ou é pior.

domingo, 3 de junho de 2012

Depois do dia


                                                                                                          Por Laura Ralola



Bom dia, de dia bom. Lambida de cachorro no rosto. Sorte ter a colcha quadriculada cheia de cores e sono. Como um escudo. Sai cachorro! Músicas entram no sonho. Músicas boas também. Dormi na sala, corro pro quarto. Algumas horas a mais de sono. Outra cama, dois travesseiros grandes. Um beijo bom de bom dia. Sonhos de novo.

Bom dia, de boa tarde. Acordei. Papo vai papo vem, os raios do sol entram pela janela junto com a brisa fresca e dá pra ver um pedacinho do céu azul. Sem nuvens – aparentemente. Cama boa, dois travesseiros grandes, quentinho. Companhia boa. Papo bom. Risadas, abraços, corpo com corpo, pé com pé, quentinhos. Músicas boas. O estomago manda levantar. Dói de fome. O céu está realmente sem nuvens.

Comida boa. Galinhada pra mim, omelete pra ela. Suco invés de refrigerante. Laranja e Limão, respectivamente. Sem açúcar, com açúcar. Café sem cigarro. Ruim a falta de cigarro na hora do café de depois do almoço. Sem dinheiro no bolso, fila do banco enorme. Quinto dia útil do mês. Preguiça. Uma amiga na fila. Dinheiro emprestado. Cigarro sem café.

Dia bom, sem nuvens no céu, brisa fresca. Andar sem sentir calor. Saber que o frio vem mesmo à noite. De dia, só na sombra. Ela quer um edredom para acompanhar os dois travesseiros grandes. Edredom de onça. A cara dela. ‘Por que não leva esse?’ pergunto. Ela ri, diz que não quer um edredom de onça.

Moça simpática que atende na loja. Sorri com a boca e com os olhos. Anuncia um edredom na promoção. Não é que é o de onça? Abusivamente macio e a promoção vale a pena. Vamos pensar e depois voltamos. Mais lojas. Lojas de sapatos, calcinhas. Às vezes espero na porta, entre um trago e outro ela volta pra rua. Andamos mais.

Nenhuma loja desbloqueia celular nessa cidade, não é possível. Depois de três tentativas conseguimos uma. Não aceita cartão, enfrentar a fila do banco é, agora, inevitável. Banco cheio, sede de coca. Ela fica na fila, eu vou à padaria. Coca gelada, dentro do banco, sem cigarro. Celular funcionando. Nenhum outro edredom tão macio e tão barato. Será mesmo o de onça.

Sacola enorme, ainda bem que é leve. Ladeira íngreme. Difícil andar nas pedras. Chave na porta, latido dos cachorros. Enfim em casa. Quarto fechado, enfumaçado, papo noiado. Risada, visitas, incenso. Hora do café. Café com cigarro, depois um pão de queijo. Ela se despede. Pega o edredom e, de longe, dá tchau. Bate a porta. Eu sento para escrever pensando que queria dormir com o edredom de onça. Terminei, vou dormir. Boa noite para um dia bom. Sim, o dia foi bom.

sábado, 2 de junho de 2012

uma delícia de tumblr: http://theimpossiblecool.tumblr.com/

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