Quando chega 31 de agosto me vem à boca um sorriso largo. "Amanhã é setembro". Quando chega dia 1º escrevo poesias nos papéis pela casa, escuto rock ' roll de Highway, desconfio de dias melhores, saúdo a primavera, penso em fazer orações e a pintar móveis. Penso em mudar de casa, dar um giro de 360º na minha vida; como se ela nunca rodasse 180º a cada 12 horas. E apesar das brigas durantes as noites insônes, em que simulo diálogos, conversas e pontos finais, eu estou em paz, porque finalmente é setembro. Porque a minha alma é sazonal, é inerente ao que eu sinto através do tempo. Porque tenho sonhado com Ipanema e com o Márcio Paixão; com visitas na Farm em companhia da Morena. Tenho respirado fundo, como se visse de longe um barco no horizonte e um arco íris envolta. Porque dias azuis são um descanso pra alma. Porque tenho colocado "lulababbies" pra um recém nascido e estou me desfazendo aos poucos das roupas do meu armário... Roupas coloridas, com histórias mas que não me servem mais. Tenho sorrisos pro espelho, tenho dentes afiados para trincar a vida. Porque a vida só se deve agora, porque criei casca e hoje saio dela com facilidade. Estou protegida por mim, e estou gargalhando por dentro. Não contenho meu sorriso, nem meus brillhantes que se caíram de um brinco que eu também já me desfiz... Desfiz - me sorrindo... Tenho me desfeito... Hoje derreto e volto ao estado sólido em um piscar de olhos. Só precisava dos meus pés na areia, de respirar um ar cálido, uma embriaguez de amor, uma volúpia do espírito que não se contém apenas em sí. Mas tudo bem, ainda é setembro!!
domingo, 2 de setembro de 2012
Dos brilhantes que eu aproveitei...
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Local:
BR-383 - MG, Brasil
domingo, 12 de agosto de 2012
domingo, 3 de junho de 2012
Depois do dia
Por Laura Ralola
Bom dia, de dia bom. Lambida de cachorro no rosto. Sorte ter
a colcha quadriculada cheia de cores e sono. Como um escudo. Sai cachorro! Músicas
entram no sonho. Músicas boas também. Dormi na sala, corro pro quarto. Algumas
horas a mais de sono. Outra cama, dois travesseiros grandes. Um beijo bom de
bom dia. Sonhos de novo.
Bom dia, de boa tarde. Acordei. Papo vai papo vem, os raios
do sol entram pela janela junto com a brisa fresca e dá pra ver um pedacinho do
céu azul. Sem nuvens – aparentemente. Cama boa, dois travesseiros grandes,
quentinho. Companhia boa. Papo bom. Risadas, abraços, corpo com corpo, pé com
pé, quentinhos. Músicas boas. O estomago manda levantar. Dói de fome. O céu
está realmente sem nuvens.
Comida boa. Galinhada pra mim, omelete pra ela. Suco invés
de refrigerante. Laranja e Limão, respectivamente. Sem açúcar, com açúcar. Café
sem cigarro. Ruim a falta de cigarro na hora do café de depois do almoço. Sem
dinheiro no bolso, fila do banco enorme. Quinto dia útil do mês. Preguiça. Uma
amiga na fila. Dinheiro emprestado. Cigarro sem café.
Dia bom, sem nuvens no céu, brisa fresca. Andar sem sentir
calor. Saber que o frio vem mesmo à noite. De dia, só na sombra. Ela quer um
edredom para acompanhar os dois travesseiros grandes. Edredom de onça. A cara
dela. ‘Por que não leva esse?’ pergunto. Ela ri, diz que não quer um edredom de
onça.
Moça simpática que atende na loja. Sorri com a boca e com os
olhos. Anuncia um edredom na promoção. Não é que é o de onça? Abusivamente macio
e a promoção vale a pena. Vamos pensar e depois voltamos. Mais lojas. Lojas de
sapatos, calcinhas. Às vezes espero na porta, entre um trago e outro ela volta
pra rua. Andamos mais.
Nenhuma loja desbloqueia celular nessa cidade, não é
possível. Depois de três tentativas conseguimos uma. Não aceita cartão,
enfrentar a fila do banco é, agora, inevitável. Banco cheio, sede de coca. Ela
fica na fila, eu vou à padaria. Coca gelada, dentro do banco, sem cigarro.
Celular funcionando. Nenhum outro edredom tão macio e tão barato. Será mesmo o
de onça.
Sacola enorme, ainda bem que é leve. Ladeira íngreme.
Difícil andar nas pedras. Chave na porta, latido dos cachorros. Enfim em casa.
Quarto fechado, enfumaçado, papo noiado. Risada, visitas, incenso. Hora do
café. Café com cigarro, depois um pão de queijo. Ela se despede. Pega o edredom
e, de longe, dá tchau. Bate a porta. Eu sento para escrever pensando que queria
dormir com o edredom de onça. Terminei, vou dormir. Boa noite para um dia bom.
Sim, o dia foi bom.
sábado, 2 de junho de 2012
uma delícia de tumblr: http://theimpossiblecool.tumblr.com/
Aos cuidados de Carolina
como era aos meus cuidados, resolvi guardar esse poema por aqui. Ele é de junho de 2010 e o autor, bem;
o autor I'll keep in secret.
o autor I'll keep in secret.
Tendo como princípio base
desse meu pensamento ininterrupto por ti
Tudo o que eu sempre quis encontrar em alguém
mas só existia em teus encantos
Senti nas mãos o emaranhado de teus cabelos
rebeldes, vorazes, com vida própria
clareando da raiz às pontas
o que eu, na escuridão, tateava
Rebeldes e lindos, emoldurando teu rosto
o qual eu já tocara em íntimo pensamentos
Todo um tornar de realidade, de vida
em meio a suspiros e alívios
De tanto soprar ao pé do ouvido
de tanto gelar o coração
de tanto esquentar o que eu sempre esperei
Minha vontade de sonhar acordado para sempre
Me pego a sussurrar frases tolas
brisas do se fala por dentro
De tanto abrir e fechar os olhos,
em busca de responder a si mesmo
a consistência de tal realidade
Vou cedendo a teus múltiplos encantos
sem poder conter o sorriso, mecanismo quase automático
E então deparo-me com a realidade sonhada
Ofegante, sem ar, depois te tocar
Depois de atingir um prazer inigualável
de corpo e de mente
algo há tempos não alcançado
Tu vens e dormes em meu peito,
escutando meu coração que discursa em um dialeto próprio
Me fazes feliz, enquanto embolo meu pensamento
neste emaranhado adorável,
sonhado e admirado
Esqueço de tudo o que não me atrai
o que me destrói por dentro
Só me achando em ti
E quando, literalmente, acordo
Vejo que finalmente a realidade do meu sonho
me consome, me assola, me alegra
e já não quero mais dormir
pois tu estás diante de mim
e estou acordado, com seu cheiro em meu corpo
ainda sem descobrir
se teus olhos me olham
ou se sonho que me olhas
Intermitantemente
Felizmente
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Algo de orquídeas
Algo alegre. Algo de azul. Algo de acordar. Algo de sorrir.
Algo de lembrar e rir.
Algo de olhar e rir.
Algo de olhar e sentir saudade. Um dia gosta mais. Outro dia gosta pouco. Outros dias gosta mais do que todos os outros. E assim, vai.
Sem tantas palavras, só no compasso do tempo. Ele é bom nisso de curar!
Algo de lembrar e rir.
Algo de olhar e rir.
Algo de olhar e sentir saudade. Um dia gosta mais. Outro dia gosta pouco. Outros dias gosta mais do que todos os outros. E assim, vai.
Sem tantas palavras, só no compasso do tempo. Ele é bom nisso de curar!
terça-feira, 29 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Mas é como se várias agulhas estivem fincadas no seu peito
Música: Golden Slumbers, Beatles.
Não queira sofrer. Pois, não queira amar um dia. Há um tempo, tentaram me ensinar o que era o amor; um desconhecido, um homem que chamavam de mago... Quando se tem 20 anos, se ama adolescente, se quer paixão, se entrega. Ela me disse, ama como se fosse uma adolescente, faz jogos, faz tipos. Voltei para casa. Era Agosto. Uma neblina na estrada, aqueles abismos, vales longos que separam a linha de trem das montanhas do Pico do Itacolomy. Lembro o que senti. Mal conseguia abrir os olhos, uma apatia à vida. Queria que o ônibus caísse, paixão... Fiquei dois dias trancada no quarto. Isso só acontece quando tenho decepções que realmente são decepções de verdade para mim. Porque sou forte, dizem tanto que comecei a acreditar. Aos 13, ficaria trancada ouvindo Janis Joplin num disco de Vinil, quando sozinha em casa. Mas já aos 20, só chorei e escrevi.
Lembrei desse dia porque tentaram me ensinar o que era amar e porque eu quis muito que o ônibus caísse no abismo. Lembrei desse dia, porque tenho ainda mágoas profundas da audácia do mago que invadiu meu corpo inumano e quase desmanchou as minhas verdades absolutas. Amei. Queiram saber. Amei demais. Não o mago. Outro. Ainda amo, mesmo que hoje ele se reduza à pó. Hoje tenho sensações parecidas com Agosto. Não vejo sentido em estar aqui, nesse mesmo quarto, ainda reclusa; o coração bate e o corpo dói. O amor. Era mais do que minha verdade absoluta. Queria falar da dor que sinto. Sem só dizer dor. Não sei como você poderia sentir o que eu sinto agora... Mas é como se várias agulhas estivem fincadas no seu peito e fosse impossível de arrancá - las. De tão impossível, o melhor que você pode fazer para amenizar a dor, é esquecer. Triste, não?
Tem algo que dói no meio do peito. É o coração, por que? Por que? Se ele parar, acabou... E as veias cessam, lentamente, uma por uma... E o pulso já não pulsa. E isso é a morte. Não vi. Não sei o que é a morte dele. Sei o que é a memória. Sei o que é a ausência. A morte não. Passei a língua em todos os meus dentes hoje, me peguei pensando que eles vão resistir antes da pele. Pensei nos meus olhos carcomidos, na minha pele pálida, nos cabelos ainda pretos.
Não queira sofrer. Dói muito amar de verdade. A minha história foi uma tragédia. Ninguém acredita em mim. Mas um dia vão acreditar. Porque vão ver; ou vão perceber que só se ama uma vez na vida. E com a pele ainda lisa, o coração sôfrego, as portas fechadas, é um calvário continuar vivendo. Ainda vejo os olhos dóidos dos que passam às ruas. Presos pelo sistema. Perdem filhos, mães, pais. Perdem os que são vítimas de violência bruta, de injustiça, de descaso da saúde pública no Brasil, dos que são vítimas do infortúnio, assim como eu fui.
Hoje, queria que as agulhas fincadas, de fato atingissem meu coração, todos temos dias de fraqueza, de falta de sentido, de pouca compreensão. Todos temos. Todos.
Sinta as agulhas que penetram as veias abertas. Meticulosas para não deixar o sangue jorrar. Violentas quando furam a pele, certeiras na força que atrita o músculo e cavam fundo. Gostam da profundidade.
É assim quando se está a caminho. Dói. Dói. Dói. Dói. Dói. Dói. E nem espera tenho de que um dia, talvez de longe, essa dor passe.
Música: Junk
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Somente o verdadeiro, para quem deseja o substancial.
Meus cabelos não param de cair, Valentina. Já é passo de hora que as tumultuações que me levam até o precipício da escolha, ao invés de me atirar para o abismo do corte profundo, me encurrala no labiríntico medo de dar o primeiro passo. Titubeio entre o prazer, deveras, de deixá - las cair sem a espera angustiante do que vem depois; e se à navalhadas eu corto e cesso a queda eminente. Já é fim de Outono, Justine. Deixe as quebradiças se ocuparem de se quebrar, deixe os novos se ocuparem de crescer, deixa o ruim florescer. Ervas Daninhas, Valentina. Ervas daninhas brotam dessas mentes inquietas. Não eram cabelos? É, é. Mas é como a mente. É, você é quem gosta dessas analogias... É que há tempos eu não sei por onde começar.
Somente o verdadeiro, para quem deseja o substancial.
As pitangas intermináveis
Bon jour! De todas as minhas inquietações, o que mais me incomoda é a apatia a elas; estou desnorteada e finjo que não. Talvez seja porque não sei por onde começar a mudar. Esse período de ostracismo não vai embora, e eu não o respeito; quando desejo, imensamente, que tudo passe.
Estou fragmentada em milhares de cacos caídos e desavisados pelo chão. Há tempos estou. De todas as tentativas de mudar, nenhuma me garantiu algum êxito. De todo o meu presente, nenhum momento conseguiu colocar - me em atrito com o chão. Vivo, desde então, flutuando e nada sentindo. Meu sangue é frio e azul. Tempo que foi, e ainda continuo aqui, chorando minhas pitangas...
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